Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011





O ciclo de caminhadas nas Serras de Aire e Candeeiros aproxima-se do fim.
Desde março passado que temos vindo a percorrer caminhos de outrora, como estradas romanas, azinhagas, canadas, caminhos de pé posto ou carreiros, por vezes alternados com a estrada dura e atual, de alcatrão.

O Parque Natural das Serras de Aire  e Candeeiros é constituído por  quatro estruturas geomorfológicas : a Serra de Aire, a Serra de Candeeiros, o Planalto de S. Mamede e o Planalto de S. António, os quais, no seu conjunto, integram o Maciço Calcário Estremenho, uma zona montanhosa de baixa altitude.  Esta zona apresenta como principais características a  paisagem agreste (que se deve à ausência de água à superfície, o que, por sua vez, é causada pela permeabilidade do calcário); as formações cársicas (dolinas, lapiás, algares, grutas, escarpas, poldjes); a paisagem compartimentada pelos chousos;o mato rasteiro nas zonas altas; os bosques de carvalhos e as áreas agrícolas.

Desde o percurso da Serra Galega (PR8 -Porto de Mós) - aqui descrito - já percorremos  outros três, nos quais destacamos as seguintes paragens e encontros:

PR2 (RMR) - Percurso Pedestre Chãos / Alcobertas

silos ou potes mouros de Alcobertas

Desconhece-se o período da sua construção, mas pensa-se que tenham servido para guardar cereais. Encontram-se escavados no solo, perfurando a terra vermelha de um cabeço.
É possível caminhar dentro daqueles que mais parecem grutas. Lá dentro não há nada, além das paredes rugosas e de pequenos ramos partidos, no chão.
Na povoação de Alcobertas perguntámos, a quem passava, sobre a origem destes silos.
Apresentaram, no início, apenas desconhecimento. Depois arriscaram a origem romana. Por último afirmaram que aos mouros certamente não remontam . Além disso - acrescentaram -  também não é claro que tenham servido apenas para guardar cereais, uma vez que não foram encontrados vestígios de sementes na terra que foi retirada e analisada.....
mais informação aqui.






conjunto arquitetónico de Chãos

Como  exemplo de construções cuja matéria prima é a pedra calcária, o guia apenas referia a cisterna. Em Chãos encontrámos outros exemplos (a eira e a cova do bagaço) e ainda um painel -  em estado de desintegração- com informações sobre cada um:


as eiras



as covas do bagaço e as cisternas

(covas do bagaço)



as cisternas (continuação)



Olho d´Água das Alcobertas

Um Olho de Água é uma exsurgência.
Uma exsurgência é um ponto no sopé do maciço calcário onde emergem as águas das chuvas que se infiltraram na pedra calcária, tendo, até esse momento, circulado subterraneamente.
O Olho d´Água das Alcobertas é um exemplo de exsurgências permanentes e tornou-se um ponto importante de abastecimento de água  para rega, lavagem e bebedouro dos animais.




sentámo-nos à  sua beira porque queríamos descansar. Ali de cima via-se o fundo e alguns habitantes aquáticos. Limos, por exemplo. 



PR1 (TNV) - Percurso Pedestre Grutas do Almonda

Campo de lapiás

Os lapiás são a superfície calcária modelada pela erosão.
Podem apresentar várias formas e dimensões.
Parecem esculturas. Alguns.
Outros parecem apenas rochas grandes. Ou enormes.



Olival

Surgem perto dos campos cultivados.
As oliveiras são árvores de origem mediterrânica e podem apresentar formas inesperadas.
O solo dos olivais, passado o verão, adquire uma cor verde, brilhante ao sol.




E por fim,

Eucaliptal

Os eucaliptos têm origem australiana e chegaram ao nosso país no século XIX para alimentar as caldeiras das locomotivas ferroviárias. Atualmente constituem uma exploração florestal importante pela sua utilização na indústria do papel.

Os eucaliptos têm um rápido crescimento e um elevado consumo de água.



 atravessámos um eucaliptal numa tarde de luz  amarela.

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